MOSTRA PARALELA: o cinema feito de forma colaborativa

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12ª Mostra Produção Independente – Aldeias apresenta filmes que trilharam caminhos pouco convencionais para serem realizados e chegarem até o público (em destaque imagem do documentário “Casa da Xiclet”, de Sofia Amaral)

Uma mostra que dialoga sobre o cinema e sua relação com  a contemporaneidade. Filmes que além de discutirem temas urgentes do nosso tempo no Brasil, também trazem em suas construções formas inovadoras de se fazer cinema. Com sessões gratuitas do dia 29 até 31 de agosto (de terça a quinta-feira), sempre às 19 horas, a Mostra Paralela da 12ª Mostra Produção Independente – Aldeias traz três produções que compartilham a necessidade de debater politicamente o nosso cotidiano: o média-metragem #Resistência, de Eliza Capai; o premiado curta ficcional Quando Parei De Me Preocupar Com Canalhas, de Tiago Vieira; e o documentário Casa da Xiclet, de Sofia Amaral; Seja através de financiamentos coletivos ou formas democráticas de distribuição, os filmes trazem em seu DNA a busca por meios que fogem do convencional.

Segundo a coordenadora de produção e produtora executiva da 12ª Mostra Produção Independente – Aldeias, Leandra Moreira,  a proposta da Mostra Paralela é apresentar modelos alternativos de produção e convidar os realizadores locais para se atentarem para outros modos de fazer o audiovisual de forma independente: “Nós selecionamos três filmes que foram viabilizados graças, principalmente, ao investimento coletivo – seja de recursos financeiros, seja de trabalho. Não se trata de abandonar o caminho convencional de realização, mas enxergar outras possibilidades para viabilizar a produção”.

O filme que abre a Mostra Paralela na terça-feira (29) é o premiado Quando Parei De Me Preocupar Com Canalhas, produção que passou pelos principais festivais do Brasil e do mundo, incluindo, Espanha, Reino Unido, Turquia e Portugal e arrematou diversas premiações –  destaque para os prêmios de Melhor Roteiro e Melhor Ator no Festival de Gramado, além dos prêmios de Melhor Filme do Júri, Melhor Filme do Público e Melhor Ator no Fest Aruanda do Audiovisual Brasileiro.

Em Quando Parei De Me Preocupar Com Canalhas o personagem principal João (interpretado por Matheus Nachtergaele) se vê em lados antagônicos do posicionamento político. É desse ponto que parte para apresentar um homem em crise que se desilude politicamente ao perceber o quão agressivo e radical se tornaram suas defesas (ou ataques?). Um reflexo do período que vivemos em que as “guerras” por linhas de pensamento se tornaram tão emblemáticas. Também fazem parte do elenco Paulo Miklos e Otto, entre outros. 

Na quarta-feira (30), será exibido #Resistência, documentário da capixaba Eliza Capai que acompanha as ocupações de prédios públicos que se multiplicaram pelo país nos primeiro meses do presidente interino Michel Temer em 2016. Com acesso livre aos movimentos, o filme traz um registro realista de uma geração que não descarta o pensar político e quer ser ouvida. A documentarista também trouxe com essa produção um novo debate para o fazer cinematográfico no país. Lançado em 70 lugares, incluindo exibições fora do país, o “#Resistência” fez uso de uma plataforma na web para promover uma distribuição gratuita e descentralizada, experiência que contribui para repensarmos não só o papel do Cinema, mas como ele alcança seu público em potencial.

O último filme da Mostra Paralela é o documentário Casa da Xiclet, de Sofia Amaral, que será exibido na quinta-feira (31). Realizada em São Paulo, Espírito Santo e Rio de Janeiro, essa produção nos apresenta a uma personagem real que traz em sua forma de viver um ato político. Adriana Xiclet é uma artista capixaba, nascida em Linhares, que se radicou em São Paulo e lá montou a galeria de arte Casa da Xiclet. Um espaço em que acontecem exposições, espetáculos musicais, projeção de filmes, jogos, festas e oficinas. Mas que também é a residência da artista. Tudo aberto ao público. Quem vai ao espaço visita não só uma galeria, mas realmente a casa da Xiclet. No longa acompanhamos como a artista abandona as convenções da sociedade comum e propõe para si mesma uma vida que renega os padrões socialmente impostos.

Uma realização da ABD Capixaba com o patrocínio do Banestes, a 12ª Mostra Produção Independente – Aldeias acontecerá do dia 28 até 31 de agosto, no Cine Jardins, em Jardim da Penha, e, além da Mostra Paralela, contará a tradicional Mostra Competitiva de filmes locais, lançamentos, debates e homenagens. Todas as atividades são abertas ao público.

MOSTRA PARALELA

12ª Mostra Produção Independente – Aldeias

Cine Jardins – Shopping Jardins – Jardim da Penha – Vitória-ES

Sessões às 19 horas

Entrada Gratuita!

 

TERÇA-FEIRA (29 de agosto de 2017)

Modelo de Crowdfunding: “Quando parei de me preocupar com canalhas”, Tiago Vieira  (ficção, 15 min., São Paulo, classificação indicativa 12 anos) 

Em meio a uma crise política, João Carlos decide se alienar, ele se acha politizado, mas começa se dar conta de que vem se tornando tão chato quanto os taxistas da cidade. Enquanto é perseguido por esse fantasma e vive uma crise de relacionamento, tem um surto de lucidez.

 

QUARTA-FEIRA (30 de agosto de 2017)

Modelo de lançamento: “#Resistência”, de Eliza Capai (documentário, 55 min, 2017, classificação indicativa livre)

Durante os meses interinos de Michel Temer, o filme acompanhou as ocupações aos prédios públicos e às ruas, dando voz aos seus protagonistas. De dentro, se acompanha o desenrolar deste importante momento histórico, ao mesmo tempo em que se discute feminismo, educação, cultura e mídia. #Resistência é dirigido e narrado por Eliza Capai, que frequentou as ocupações da Alesp, Minc-RJ, Funarte-SP, a Marcha das Vadias RJ e a Parada LGBTT de São Paulo, entre os meses de abril e agosto de 2016.

 

QUINTA-FEIRA (31 de agosto de 2017)

Modelo de Crowdfunding: Casa da Xiclet, de Sofia Amaral (documentário, 47 min, 2016, classificação indicativa 14 anos)

Xiclet, mantém em São Paulo a Casa da Xiclet: galeria de arte independente, residência artística, espaço de exibição, produção e – especialmente – reflexão sobre as artes plásticas. Vanguardista na realização de um espaço cultural alternativo, que mescla sua própria casa com atividades de galeria e ateliê, Xiclet já expôs obras de mais de 500 artistas, realizou dezenas de exposições, projetou nomes de artistas hoje renomados e, principalmente, provocou e questionou insistentemente o mercado das artes. A Casa da Xiclet não é underground – é playground. O documentário buscou captar esse espírito, e apresentar ao público a história dessa personagem insólita, ácida e cativante, que saiu de uma pequena cidade do interior do Espírito Santo para transformar sua própria casa em uma das galerias de artes mais longevas e importantes no circuito alternativo de artes do Brasil.