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Os filmes premiados pela 12ª Mostra Produção Independente

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Foram concedidos seis prêmios e duas menções honrosas. A última noite da Mostra ainda contou com a exibição do filme “Casa da Xiclet” e com a homenagem a Valentina Krupnova (foto: Luara Monteiro)

Na noite dessa quinta-feira (13), o público capixaba conheceu as obras premiadas pela Mostra Competitiva de Curtas Capixabas da 12ª Mostra Produção Independente – Aldeias. Antes da Cerimônia de Premiação, realizada no Cine Jardins, o evento também rendeu homenagem a diretora e professora de cinema Valentina Krupnova. Na ocasião, também foi exibido o documentário “Casa da Xiclet”, de Sofia Amaral, e lançado o DVD Coletânea da Mostra. Esse evento teve início na última segunda-feira e contou com uma extensa programação gratuita  de exibições e outras atividades em torno do audiovisual.

A 12ª Mostra Produção Independente – Aldeias é uma realização da Associação Brasileira de Documentaristas e Curtas-Metragistas do Espírito Santo (ABD Capixaba) e contou com o patrocínio do Banestes. Para o presidente da ABD Capixaba, Thiago Moulin, o evento cumpre a importante função de dar visibilidade à produção local e de aproximar diferentes gerações de realizadores: “A Mostra é um espaço bem democrático,  incentiva os trabalhos dos novos diretores e reconhece a trajetória de profissionais com trajetórias já reconhecidas. É uma janela para aqueles que estão acabando de chegar, que estão lançando seu primeiro filme, e para quem já está na estrada há algum tempo”.

Premiações da Mostra Competitiva

Entre os 19 filmes em competição, seis produções foram premiadas. O Prêmio Especial do Júri foi para “Hic”, de Alexander Buck, curta-metragem de 15 minutos que se vale do realismo fantástico e insólito para evidenciar o racismo cotidiano na ilha de Vitória. No filme, um maratonista africano ganha a capacidade de se teletransportar, o que atrai os olhos da mídia internacional. O júri justificou o mérito da premiação à originalidade do roteiro, à experimentação da linguagem e o modo inovador como o tema do racismo foi abordado.

Foram contemplados com o Prêmio Destaque os curtas-metragens “Hotel Cidade Alta”, “Divina Luz” e Córrego Grande, 13”. Filme que já circulou por algumas mostras nacionais, “Hotel Cidade Alta”, de Vitor Graize, foi premiado pela qualidade técnica e pela experimentação narrativa que mescla ficção e realidade de modo bastante autoral. No documentário “Divina Luz”, o veterano Ricardo Sá teve o mérito de empreender uma intensa pesquisa de arquivo e utiliza de soluções audiovisuais criativas para resgatar a história de uma importante figura feminina: a bailarina e naturista Luz del Fuego. No documentário “Córrego Grande, 13”,  um excelente trabalho de som e de fotografia e uma montagem propícia à reflexão expressam a intimidade entre a diretora Carol Covre e seus avós em conversas sobre a memória e o pertencimento.

Ganharam o Prêmio Incentivo os documentários “Como Areia do Mar”, de Raphael Sampaio, curta que discute a fragilidade da memória humana tendo como interlocutoras  mulheres idosas com alzheimer; e “Transvivo”, de Tati W. Franklin, que chamou a atenção pelo modo como aborda um tema urgente na sociedade – a transexualidade – ao aproximar os personagens principais – dois jovens transexuais –  do público usando o dispositivo do auto-registro.

Presente na Cerimônia, a diretora Tati W. Franklin (foto ao lado) ressaltou a importância da premiação para a carreira do filme, para a militância e para a vida profissional de toda equipe envolvida na produção do curta: “Dedico esse prêmio a todos os realizadores, ao Izah e ao Murilo (personagens do documentário). Agradeço a toda equipe do filme e à Mostra, foram momentos intensos. Vida longa à ABD!”.

O Júri da Mostra também concedeu duas Menções Honrosas: para “O Polígono”, de Caio Fabricius, e para “No Caminho da Escola”, dos Alunos do Projeto Animação.

Este ano, a Mostra Competitiva recebeu cerca de 80 inscrições de filmes vindos de diversos municípios do Espírito Santo: 27 documentários, 26 ficções, 7 animações e 20 videoclipes, videoartes e filmes experimentais. Dessas produções, foram escolhidos 19 filmes de diretores veteranos e estreantes que mostram a diversidade de gêneros, de temáticas, de propostas narrativas e de estéticas na recente produção local. A seleção das obras foi feita por uma Comissão formada pela produtora Leandra Moreira, pelo diretor Alexandre Serafini e pela diretora e editora Iza Rosenberg. A Comissão de Júri da Mostra foi formada pela professora e pesquisadora Daniela Zanetti, pelo produtor e diretor Felipe Redins, e pela produtora e diretora de arte Joyce Castello.

Homenagem a Valentina Krupnova

Antes da premiação, foi feita a homenagem à diretora e professora de cinema, Valentina Krupnova. A cerimônia incluiu, além da presença da homenageada, a exibição de um vídeo-homenagem produzido especialmente pelo diretor Ricardo Sá. Prestes a contemplar 70 anos, Valentina Krupnova teve grande participação na formação da geração de cineastas que iniciaram a carreira durante o ciclo do curta-metragem, ainda nos anos 1990. Como servidora pública lotada do DEC – antigo Departamento Estadual de Cultura, hoje Secretaria de Cultura – Krupnova esteve na coordenação de cursos teóricos e práticos na área de cinema, dando um empurrão inicial para a profissionalização do segmento.

Quem entregou o Troféu de Homenagem à Valentina foi o diretor Ramon Alvarado, que fez parte do elenco de “Hotel Cidade Alta” e, por isso, também representou o filme na premiação.

Lançamento DVD Coletânea

Como estratégia para fazer circular e repercutir as obras e debates presentes no evento, durante 12ª Mostra Produção Independente – Aldeias, após a premiação foi lançado DVD Coletânea da Mostra. Reunindo 18 produções que foram exibidas na Mostra Competitiva, esse produto cumpre de promover o registro e a catalogação das obras dos realizadores capixabas e funciona como um mecanismo de difusão desse conteúdo audiovisual para fins não comerciais.

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Homenagem e lançamento na abertura da 12ª Mostra Produção Independente

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A primeira sessão competitiva exibirá seis produções locais. Na telona, a diversidade do audiovisual capixaba. Todas as atividades da Mostra Produção Independente são abertas ao público!

Importante janela para difusão do audiovisual capixaba, a 12ª Mostra Produção Independente – Aldeias tem início nesta segunda (28) e vai até a próxima quinta-feira (31) com exibições de filmes e outras atividades sobre o audiovisual. Logo mais, na noite de abertura, no Cine Jardins, acontece a 1ª sessão da Mostra Competitiva Capixaba, o lançamento da Revista Milímetros nº 7 e a homenagem póstuma a artista e produtora cultural Regina Mainardi.

A inspiração para o tema da 12ª  edição da Mostra Produção Independente veio do poema “Da minha Aldeia” de Fernando Pessoa, com pseudônimo de Alberto Caeiro: “Da minha aldeia vejo quanto da terra se pode ver do Universo / Por isso a minha aldeia é tão grande como outra terra qualquer, / Porque eu sou do tamanho do que vejo / E não do tamanho da minha altura”.

Homenagem a Regina Maianardi

“Como a noite apareceu”, filme produzido por Regina Mainardi com a direção de Alexandre Perim

Recentemente falecida, Regina Mainardi é dona de uma trajetória multifacetada e de uma vida inteiramente voltada ao fazer artístico-cultural. Como parte da homenagem, o público irá assistir ao trailer da ficção “Como a noite apareceu”, curta  produzido por Regina e dirigido por Alexandre Perim e – esse filme é falado em Guarani e rodado em Aracruz, tem como estrelas 85 atores da tribo Guarani Mybiá e foi exibido na 8ª Mostra Produção Independente – Janelas em 2012.

Produtora, agente cultural, dubladora, atriz, radialista, escritora, bonequeira são algumas das ocupações às quais essa artista e mobilizadora cultural se dedicou. Mãe de Laruska Mainardi Lima, Igor Aurelio Mainardi Gentil, Yasminn Mainardi e Ariel Morgana Mainardi Depaula, Regina deixou um legado nas áreas do cinema, teatro e literatura.

Nascida em 21 de abril de 1954, no Rio de Janeiro, seus pais eram taquígrafos e naturais do Espírito Santo e retornam para cá ainda na infância da Regina. Em 1978 ingressa curso de Artes Cênicas na Escola Macunaíma em São Paulo, formação que conclui em 1981, ano que em atua no longa-metragem “O Rei da Vela”, de José Celso Martinêz Corrêa e Noilton Nunes. Um ano depois já estava no elenco de “Etéia a Extraterrestre no Rio de Janeiro” (1983), de Roberto Mauro.

Entre os anos de 1984 a 1988, Regina fez estágio e dublou na Herbert Richers, Delarte, Telecine. Também atuou como modelo fotográfica e dividia sua vida entre Rio de Janeiro, São Paulo e Vitória. Integrou o elenco de:  “Vaga para Moça de Fino Trato”, longa-metragem de Paulo Tiago rodado no Espírito Santo (1990); “Punhal”, longa-metragem de Luiza Lubiana (2015); “Solidão Vadia”, de Ricardo Sá (1997) – curta-metragem em que também assina a produção junto com sua filha Laruska Mainardi. Em 2001, dirigiu, montou e produziu o documentário“Caravela Espírito Santo”, obra feita para a Comemoração Oficial dos 500 anos do Brasil. Em 2008, foi produtora, atriz e bonequeira na animação “Barratos”, de Marcos Veronese.

Entre os anos de 1990 e 2000, também atuou com como produtora e diretora tendo como destaques os seguintes trabalhos: “SOS. Poluição no Sítio do Picapau Amarelo”, “O Jardim Mágico”, “Amigo da Natureza” , “Na Escolinha de Brasilina”; “A Incrível Aventura da Vila de Vitória contra os Piratas Thomas Cavendish e Robert Morgan” – espetáculo que teve repercussão em nível nacional e que narrava a história do Espírito Santo de dentro da Caravela Espírito Santo; “O Monstro que Roubou o Natal”; “Gerê no Mangue”, peça premiada pelo Programa EnCenaBrasil da Funarte. Em 2007, foi convidada pela Faculdade de Música do Espírito Santo para criar as máscaras e bonecos de sombra na “Operá Il Campanello”. Em 2008, atuou como manipuladora de bonecos em “Corso”, desfile dos Artistas Capixabas no carnaval de Vitória

Nos anos de 1999 e 2000, Regina apresentou o programa “Rádio Vida” na Rádio América AM, veiculado aos domingos. Um dos quadros do programa era o RádioContos, onde ela apresentava a dramatização de histórias infantis,infanto-juvenis e adultas. Até meados dos anos 2000,  esteve à frente do Potpourri de Doideiras, um programa juvenil teatrofônico de auditório que era apresentado nos finais de semana na Concha Acústica do Parque Moscoso e que chegou a circular por outros bairros e  municípios da Grande Vitória.

No ano de 2000, Regina foi convidada para ser a escrivã da Caravela Espírito Santo na Comemoração Oficial dos 500 Anos do Brasil, experiência que gerou a publicação “Diário de Bordo da Caravela Espírito Santo”. No ano 2002, publicou o livro infanto-juvenil “O Polvo no Lixo” que fala sobre a solidariedade, o voluntariado em comunidade e sobre dois garotos de rua. Em 2007, lançou “O Jardim Mágico de Gerê” História em Quadrinhos, infantil que retrata o microcosmo, focada para o desenvolvimento do plantio.

Uma janela para o audiovisual capixaba

A Mostra Competitiva traz para o público uma seleção de 19 produções que expressam a diversidade do audiovisual capixaba. Na telona, o público irá assistir a vários gêneros fílmicos, com temáticas, propostas narrativas e estéticas igualmente diversas. Essas obras irão concorrer em diversas categorias definidas pelo Júri da Mostra e ainda poderão ser contempladas com Prêmios do Instituto de Artes e Técnicas em Comunicação (créstidos para cursos na área audiovisual) e um Prêmio da Link Digital (com serviço de Encode DCP para um filme de até 20 minutos). Após a exibição haverá um bate-papo com os diretores dos filmes.

A produção que abre a Mostra é o documentário “Divina Luz”, de Ricardo Sá, obra que apresenta a atualidade do pensamento da naturalista e bailarina Luz Del Fuego e que está circulando por festivais nacionais e internacionais. Fazem parte dessa primeira sessão três videoclipes: “Sweet river”, de Manfredo, onde o músico e diretor expõe seu lamento sobre a tragédia e crime ambiental de Mariana-MG; “Platônico”, de Pedro Cunha, onde a tônica fica por conta da perfomance musical da Banda De-Bando; e “Entre”, para música homônima da cantora Joana Bentes com a direção de Tati W Franklin e Suellen Vasconcelos.

Curta-metragem “Melodiário, sobre a obra de Jaceguay Lins”, de Marcos Valério Guimarães.

Outra produção será “Melodiário, sobre a obra de Jaceguay Lins”, filme-ensaio de Marcos Valério Guimarães sobre a obra musical, cinematográfica e poética do Maestro, poeta, montador e trilheiro de cinema Jaceguay Lins – artista da vanguarda musical brasileira na década de 1970 e criador de trilhas e músicas para grandes nomes do cinema brasileiro.

O filme que encerra a primeira sessão da Mostra Competitiva é “Hic”, de Alexandre Buck. Nesse curta-metragem, o realismo fantástico e insólito evidenciam o racismo cotidiano na ilha de Vitória. No roteiro, um maratonista africano ganha a capacidade de se teletransportar, o que atrai os olhos da mídia internacional.

Revista Milímetros

Além de dar visibilidade aos trabalhos de realizadores capixabas, a 12ª Mostra Produção Independente – Aldeias quer ser um espaço para pensar as formas de fomento ao audiovisual praticadas em outros estados brasileiros, refletir sobre como cada realidade local resolve seus problemas, quais suas especificidades, a fim de fortalecer e aperfeiçoar a cadeia produtiva do audiovisual no Espírito Santo.

Parte dessas discussões, estão presentes na Revista Milímetros nº 7, que também funciona como catálogo dos filmes que fazem parte da programação da Mostra Produção Independente que será distribuída gratuitamente.  A publicação também traz entrevistas Débora Ivanov, diretora-presidente da Ancine, e com Flávio Gonçalves, diretor-geral do Instituto de Radiodifusão Educativa da Bahia; matérias sobre a contextualização histórica das políticas de audiovisual capixaba, sobre o crescimento do mercado para  obras seriadas e sobre os filmes da Mostra Paralela, entre outros assuntos.

 

12ª Mostra Produção Independente – Aldeias

Cine Jardins – Shopping Jardins – Jardim da Penha – Vitória-ES

ENTRADA FRANCA!

 

SEGUNDA-FEIRA (28 de agosto de 2017)

19h – Cerimônia de abertura da 12ª Mostra Produção Independente  – Aldeias e  lançamento da Revista/Catálogo Milímetros nº 7

Homenagem a Regina Mainardi

 

20h –  Mostra Competitiva Capixaba – Classificação indicativa: 14 anos

Divina Luz, de Ricardo Sá, documentário, 15 min, 2017

Sweet river, de Manfredo, videoclipe, 4 min, 2017

Platônico, de Pedro Cunha, videoclipe, 3 min, 2015/2017

Melodiário, sobre a obra de Jaceguay Lins, de Marcos Valério Guimarães, documentário, 25 min, 2015

Entre, de Tati W Franklin e Suellen Vasconcelos, videoarte, 4 min, 2016

Hic, de Alexander Buck, experimental, 15 min, 2016

Debate com os realizadores após a exibição dos filmes

MOSTRA PARALELA: o cinema feito de forma colaborativa

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12ª Mostra Produção Independente – Aldeias apresenta filmes que trilharam caminhos pouco convencionais para serem realizados e chegarem até o público (em destaque imagem do documentário “Casa da Xiclet”, de Sofia Amaral)

Uma mostra que dialoga sobre o cinema e sua relação com  a contemporaneidade. Filmes que além de discutirem temas urgentes do nosso tempo no Brasil, também trazem em suas construções formas inovadoras de se fazer cinema. Com sessões gratuitas do dia 29 até 31 de agosto (de terça a quinta-feira), sempre às 19 horas, a Mostra Paralela da 12ª Mostra Produção Independente – Aldeias traz três produções que compartilham a necessidade de debater politicamente o nosso cotidiano: o média-metragem #Resistência, de Eliza Capai; o premiado curta ficcional Quando Parei De Me Preocupar Com Canalhas, de Tiago Vieira; e o documentário Casa da Xiclet, de Sofia Amaral; Seja através de financiamentos coletivos ou formas democráticas de distribuição, os filmes trazem em seu DNA a busca por meios que fogem do convencional.

Segundo a coordenadora de produção e produtora executiva da 12ª Mostra Produção Independente – Aldeias, Leandra Moreira,  a proposta da Mostra Paralela é apresentar modelos alternativos de produção e convidar os realizadores locais para se atentarem para outros modos de fazer o audiovisual de forma independente: “Nós selecionamos três filmes que foram viabilizados graças, principalmente, ao investimento coletivo – seja de recursos financeiros, seja de trabalho. Não se trata de abandonar o caminho convencional de realização, mas enxergar outras possibilidades para viabilizar a produção”.

O filme que abre a Mostra Paralela na terça-feira (29) é o premiado Quando Parei De Me Preocupar Com Canalhas, produção que passou pelos principais festivais do Brasil e do mundo, incluindo, Espanha, Reino Unido, Turquia e Portugal e arrematou diversas premiações –  destaque para os prêmios de Melhor Roteiro e Melhor Ator no Festival de Gramado, além dos prêmios de Melhor Filme do Júri, Melhor Filme do Público e Melhor Ator no Fest Aruanda do Audiovisual Brasileiro.

Em Quando Parei De Me Preocupar Com Canalhas o personagem principal João (interpretado por Matheus Nachtergaele) se vê em lados antagônicos do posicionamento político. É desse ponto que parte para apresentar um homem em crise que se desilude politicamente ao perceber o quão agressivo e radical se tornaram suas defesas (ou ataques?). Um reflexo do período que vivemos em que as “guerras” por linhas de pensamento se tornaram tão emblemáticas. Também fazem parte do elenco Paulo Miklos e Otto, entre outros. 

Na quarta-feira (30), será exibido #Resistência, documentário da capixaba Eliza Capai que acompanha as ocupações de prédios públicos que se multiplicaram pelo país nos primeiro meses do presidente interino Michel Temer em 2016. Com acesso livre aos movimentos, o filme traz um registro realista de uma geração que não descarta o pensar político e quer ser ouvida. A documentarista também trouxe com essa produção um novo debate para o fazer cinematográfico no país. Lançado em 70 lugares, incluindo exibições fora do país, o “#Resistência” fez uso de uma plataforma na web para promover uma distribuição gratuita e descentralizada, experiência que contribui para repensarmos não só o papel do Cinema, mas como ele alcança seu público em potencial.

O último filme da Mostra Paralela é o documentário Casa da Xiclet, de Sofia Amaral, que será exibido na quinta-feira (31). Realizada em São Paulo, Espírito Santo e Rio de Janeiro, essa produção nos apresenta a uma personagem real que traz em sua forma de viver um ato político. Adriana Xiclet é uma artista capixaba, nascida em Linhares, que se radicou em São Paulo e lá montou a galeria de arte Casa da Xiclet. Um espaço em que acontecem exposições, espetáculos musicais, projeção de filmes, jogos, festas e oficinas. Mas que também é a residência da artista. Tudo aberto ao público. Quem vai ao espaço visita não só uma galeria, mas realmente a casa da Xiclet. No longa acompanhamos como a artista abandona as convenções da sociedade comum e propõe para si mesma uma vida que renega os padrões socialmente impostos.

Uma realização da ABD Capixaba com o patrocínio do Banestes, a 12ª Mostra Produção Independente – Aldeias acontecerá do dia 28 até 31 de agosto, no Cine Jardins, em Jardim da Penha, e, além da Mostra Paralela, contará a tradicional Mostra Competitiva de filmes locais, lançamentos, debates e homenagens. Todas as atividades são abertas ao público.

MOSTRA PARALELA

12ª Mostra Produção Independente – Aldeias

Cine Jardins – Shopping Jardins – Jardim da Penha – Vitória-ES

Sessões às 19 horas

Entrada Gratuita!

 

TERÇA-FEIRA (29 de agosto de 2017)

Modelo de Crowdfunding: “Quando parei de me preocupar com canalhas”, Tiago Vieira  (ficção, 15 min., São Paulo, classificação indicativa 12 anos) 

Em meio a uma crise política, João Carlos decide se alienar, ele se acha politizado, mas começa se dar conta de que vem se tornando tão chato quanto os taxistas da cidade. Enquanto é perseguido por esse fantasma e vive uma crise de relacionamento, tem um surto de lucidez.

 

QUARTA-FEIRA (30 de agosto de 2017)

Modelo de lançamento: “#Resistência”, de Eliza Capai (documentário, 55 min, 2017, classificação indicativa livre)

Durante os meses interinos de Michel Temer, o filme acompanhou as ocupações aos prédios públicos e às ruas, dando voz aos seus protagonistas. De dentro, se acompanha o desenrolar deste importante momento histórico, ao mesmo tempo em que se discute feminismo, educação, cultura e mídia. #Resistência é dirigido e narrado por Eliza Capai, que frequentou as ocupações da Alesp, Minc-RJ, Funarte-SP, a Marcha das Vadias RJ e a Parada LGBTT de São Paulo, entre os meses de abril e agosto de 2016.

 

QUINTA-FEIRA (31 de agosto de 2017)

Modelo de Crowdfunding: Casa da Xiclet, de Sofia Amaral (documentário, 47 min, 2016, classificação indicativa 14 anos)

Xiclet, mantém em São Paulo a Casa da Xiclet: galeria de arte independente, residência artística, espaço de exibição, produção e – especialmente – reflexão sobre as artes plásticas. Vanguardista na realização de um espaço cultural alternativo, que mescla sua própria casa com atividades de galeria e ateliê, Xiclet já expôs obras de mais de 500 artistas, realizou dezenas de exposições, projetou nomes de artistas hoje renomados e, principalmente, provocou e questionou insistentemente o mercado das artes. A Casa da Xiclet não é underground – é playground. O documentário buscou captar esse espírito, e apresentar ao público a história dessa personagem insólita, ácida e cativante, que saiu de uma pequena cidade do interior do Espírito Santo para transformar sua própria casa em uma das galerias de artes mais longevas e importantes no circuito alternativo de artes do Brasil.

A diversidade do audiovisual capixaba na 12ª Mostra Produção Independente

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O evento também exibirá filmes produzidos de maneira alternativa e contará com lançamentos, homenagens e debates. As sessões acontecerão no Cine Jardins, em Vitória. Todas as atividades são abertas ao público!

Janela anual para promover o audiovisual do Espírito Santo e refletir sobre os rumos desse importante setor artístico-cultural, a Mostra Produção Independente chega à sua 12ª edição com o tema “Aldeias” e contará com exibições de filmes e outras atividades abertas ao público que acontecem do dia 28 a 31 de agosto (de segunda a quinta-feira). Este ano, as exibições da Mostra estão de casa nova e serão sediadas no Cine Jardins, em Jardim da Penha, Vitória-ES (ver programação completa no final da matéria).

Fazem parte dessa programação a Mostra Competitiva de curtas-metragens locais, Mostra Paralela com filmes nacionais produzidos de modo não convencional, homenagens e os lançamentos da Revista/Catálogo Milímetros nº 7 e do DVD-Coletânea da Mostra e a 3ª reunião do Fórum Capixaba do Audiovisual (única atividade da Mostra que acontecerá no auditório do Centro de Ciências Exatas da Ufes, no Campus de Goiabeiras).

Pensar o local a partir do global

Cinema lotado na 11ª Mostra Produção Independente – Cenários (2016) / Foto: Marcelo Gomes

A inspiração para o tema da 12ª edição da Mostra Produção Independente veio do poema “Da minha Aldeia” de Fernando Pessoa, com pseudônimo de Alberto Caeiro: “Da minha aldeia vejo quanto da terra se pode ver do Universo / Por isso a minha aldeia é tão grande como outra terra qualquer, / Porque eu sou do tamanho do que vejo / E não do tamanho da minha altura”.

Encontro tradicional da cena audiovisual local, a continuidade da Mostra Produção Independente diz muito sobre a trajetória que a produção audiovisual local percorreu especialmente na última década. A cada ano, o trabalho de seleção de obras fica mais difícil devido ao aumento do volume e da qualidade dos trabalhos inscritos.

Além de dar visibilidade aos trabalhos de realizadores capixabas, a 12ª Mostra Produção Independente – Aldeias quer ser um espaço para pensar as formas de fomento ao audiovisual praticadas em outros estados brasileiros, refletir sobre como cada realidade local resolve seus problemas, quais suas especificidades, a fim de fortalecer e aperfeiçoar a cadeia produtiva do audiovisual no Espírito Santo.

O presidente da Associação Brasileira de Documentaristas e Curta-Metragistas do Espírito Santo (ABD Capixaba), Thiago Moulin, enfatiza que a Mostra Produção Independente é um evento local dedicado exclusivamente para os realizadores capixabas. “Este ano queremos debater acerca dos modos de produção praticados nacionalmente. Mostra Produção Independente também é um momento para costurar parcerias e alianças, como é o caso do arranjo regional estabelecido entre a Agência Nacional do Cinema (Ancine) e o Fundo Estadual de Cultura (Funcultura) que possibilitou o aporte significativo de recursos no setor audiovisual capixaba. O acordo que definiu esse investimento foi costurado durante uma das últimas edições da Mostra onde conseguimos reunir representantes da Associação Brasileira de Produtoras Independentes de TV, da Ancine e da Secult-ES”.

Mostra Competitiva Capixaba: o melhor da produção local

Documentário “Divina Luz”, de Ricardo Sá.

Com sessões às 20 horas, dos dia 28 a 30 de agosto (de segunda a quarta-feira), Mostra Competitiva traz uma seleção de 19 filmes de diretores veteranos e estreantes que mostram a diversidade de gêneros, de temáticas, de propostas narrativas e de estéticas na recente produção local. Essas obras irão concorrer em diversas categorias definidas pelo Júri da Mostra e ainda poderão ser contempladas com Prêmios do Instituto de Artes e Técnicas em Comunicação (créstidos para cursos na área audiovisual) e um Prêmio da Link Digital (com serviço de Encode DCP para um filme de até 20 minutos). As exibições serão seguidas de um bate-papo com os diretores dos filmes.

Para a 12ª Mostra Produção Independente – Aldeias, foram inscritas 80 produções: 27 documentários, 26 ficções, 7 animações e 20 videoclipes, videoartes e filmes experimentais. E a escolha foi feita por uma Comissão de Seleção formada pela produtora Leandra Moreira, pelo diretor Alexandre Serafini e pela diretora e editora Iza Rosenberg. De acordo com Alexandre Serafini, fica evidente a qualidade e o acabamento técnico das produções – o que dificultou o trabalho da seleção. “Principalmente entre os documentários comparecem filmes que fazem resgates históricos sobre as memórias familiares e locais, também lançam um olhar sobre questões da realidade atual, sobre a nossa aldeia, podemos dizer”.

Mostra Paralela Nacional: novos jeitos de fazer cinema

O premiado curta-metragem “Quando parei de me preocupar com canalhas”, de Tiago Vieira

Filmes realizados de forma inovadora e que percorreram caminhos poucos convencionais para chegar até o público serão exibidos na Mostra Paralela, que terá sessões de 29 a 31 de agosto (de terça a quinta-feira) sempre às 19 horas. Na telona, o público assistirá a dois curtas e a um média-metragem que, de maneira contundente, apresentam temáticas políticas e que foram viabilizadas via modelos alternativos de produção ou de distribuição.

Fazem parte da Mostra Paralela as produções paulistas “Quando Parei De Me Preocupar Com Canalhas”, ficção amplamente premiada de Tiago Vieira, e “Casa da Xiclet”, documentário de Sofia Amaral – ambas financiadas via crowdfunding. Lançado em 70 lugares, incluindo exibições fora do país, o média-metragem “#Resistência”, da capixaba Eliza Capai, fez uso de uma plataforma na web para promover uma distribuição gratuita e descentralizada.

Homenagem a Valentina Krupnova

A diretora e professora de cinema Valentina Krupnova será homenageada na Mostra / Foto Luara Monteiro

Com quase 70 anos, Valentina Krupnova é a homenageada da 12ª Mostra Produção Independente – Aldeias. Ela foi a responsável por proporcionar a primeira formação prática na área cinematográfica para uma geração de profissionais do cinema capixaba ao coordenar duas turmas do Curso de Realização Cinematográfica nos anos de 1994 e 1997 que resultaram em dois curtas-metragens: Gringa Miranda, lançado em 1997, e Labirintos Móveis, lançado em 1998, ambos com direção coletiva. Em 2014, lançou o curta-metragem ficcional Nega do Ébano, onde ela assume a autoria individual da obra.

De nacionalidade russa e radicada em Vitória desde 1974, Valentina nasceu na cidade de Perm, na Rússia, ainda no período da União Soviética. Desde criança era apaixonada por cinema desde a infância, identificação que a levou a cursar a graduação de História e Teoria do Cinema na mais antiga universidade de cinema do mundo: a Gerasimov Institute of Cinematography. Em 2014, ela aposentou-se após atuar como servidora pública estadual por 32 anos e, atualmente, ocupa a cadeira de número 24 da Academia Feminina de Letras do Espírito Santo.

Lançamentos
Para fazer circular e repercutir as obras e debates presentes da Mostra, também serão lançados e distribuídos gratuitamente a 7ª edição da Revista Catálogo Milímetros, e o DVD Coletânea da Mostra. A Revista Milímetros traz textos sobre o setor audiovisual, funciona como catálogo dos filmes que fazem parte da programação da Mostra Produção Independente e contou com o projeto gráfico de Gabriel Perrone. O DVD Coletânea da Mostra reúne 18 produções que foram exibidas na Mostra Competitiva Capixaba e funciona como um mecanismo de difusão desse conteúdo audiovisual, para fins não comerciais.

A 12ª Mostra Produção Independente – Aldeias é uma realização da Associação Brasileira de Documentaristas e Curta-Metragistas do Espírito Santo (ABD Capixaba) e conta com o patrocínio do Banestes.

PROGRAMAÇÃO GERAL
12ª Mostra Produção Independente – Aldeias
Cine Jardins – Shopping Jardins – Jardim da Penha – Vitória-ES
ENTRADA FRANCA!

SEGUNDA-FEIRA (28 de agosto de 2017)
19h – Cerimônia de abertura da 12ª Mostra Produção Independente – Aldeias e lançamento da Revista/Catálogo Milímetros nº 7
Homenagem a Regina Mainardi

20h – Mostra Competitiva Capixaba – Classificação indicativa: 14 anos
Divina Luz, de Ricardo Sá, documentário, 15 min, 2017
Sweet river, de Manfredo, videoclipe, 4 min, 2017
Platônico, de Pedro Cunha, videoclip, 3 min, 2015/2017
Melodiário, sobre a obra de Jaceguay Lins, de Marcos Valério Guimarães, documentário, 25 min, 2015
Entre, de Tati W Franklin e Suellen Vasconcelos, videoarte, 4 min, 2016
Hic, de Alexander Buck, experimental, 15 min, 2016

Debate com os realizadores após a exibição dos filmes

TERÇA-FEIRA (29 de agosto de 2017)
19h – Mostra Paralela – Modelo de Crowdfunding: “Quando parei de me preocupar com canalhas”, Tiago Vieira – 15 min. – Classificação indicativa: 12 anos

20h – Mostra Competitiva Capixaba – Classificação indicativa: livre
Hotel Cidade Alta, de Vitor Graize, ficção, 25 min, 2016
Verônika Oyá Mareow, de Herbert Fieni, videoarte, 3 min, 2017
Polígono, de Caio Fabricius, ficção, 12 min 2016
Espírito São, de Leo Alves Ferreira, documentário, 26 min, 2016
Freqüência, de Dayana Cordeiro e Willian Rubim, documentário, 5 min, 2014
No Caminho da Escola, de alunos do Projeto Animação, animação, 9 min, 2017
As minas, de Brunella Alves, documentário, 18 min, 2017

Debate com os realizadores após a exibição dos filmes

QUARTA-FEIRA (30 de agosto de 2017)
19h – Mostra Paralela – Modelo de lançamento: “#Resistência”, de Eliza Capai, documentário, 55 min, 2017 – Classificação indicativa: livre

20h – Mostra Competitiva Capixaba – Classificação indicativa: 10 anos
203, de Luana Cabral e Luciana GB, documentário, 18 min, 2016
Córrego Grande, 13, de Carol Covre, documentário, 13 min, 2015
Como areia do mar, de Raphael Sampaio, documentário, 19 min, 2016
Transvivo, de Tatiana W Franklin, documentário, 30 min, 2017
Black Catolic Galatic, de Henrique do Carmo, Videoarte, 2 min, 2017
C(elas), de Gabriela Santos Alves, documentário, 18 min, 2017

Debate com os realizadores após a exibição dos filmes

QUINTA-FEIRA (31 de agosto de 2017)
13h30 – 3ª reunião do Fórum do Audiovisual Capixaba (Local: Auditório do CCE/Ufes)

19h Mostra Paralela – Modelo de Crowdfunding: Casa da Xiclet, de Sofia Amaral, Documentário, 47 min, 2016 – Classificação indicativa: 14 anos

20h30 – Homenagem a Valentina Krupnova

21h – Cerimônia de encerramento da 12ª Mostra Produção Independente, premiação e lançamento do DVD Coletânea.

Fórum do Audiovisual debaterá os limites e potencialidades da produção local

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Em sua 3ª reunião, o Fórum traz com tema “Políticas públicas para o Audiovisual no Espírito Santo: avaliação do presente e panorama futuro” e acontece na tarde do próximo dia 31 de agosto

Para pensar como o Espírito Santo se insere o atual  contexto de desenvolvimento do audiovisual brasileiro, no próximo dia 31 de agosto, das 13h30 às 18h, será realizada a terceira reunião do Fórum do Audiovisual Capixaba. Com o tema “Políticas públicas para o Audiovisual no Espírito Santo: avaliação do presente e panorama futuro”, integra a programação da 12ª Mostra Produção Independente – Aldeias e será realizada no Auditório do Centro de Ciências Exatas da Ufes/Campus Goiabeiras, em Vitória.

Apesar do cenário nacional de crise econômica e política, a produção audiovisual brasileira continua a crescer. Um estudo da Agência Nacional do Cinema (Ancine) diz que esse setor da chamada economia criativa injetou na economia nacional R$ 24,5 bilhões. Os bons indicadores são resultado de uma intensa reestruturação, principalmente no que diz respeito ao mercado e às políticas públicas de fomento à produção, à difusão, à distribuição e à comercialização de produtos audiovisuais. Mas qual a participação do Espírito Santo nesse cenário?

Essa e outras questões fazer parte da pauta do Fórum do Audiovisual Capixaba – espaço para construção e debate democráticos e que promove a articulação e discussões com realizadores, produtoras, empreendedores, poder público,  artistas e outros profissionais envolvidas com a produção audiovisual. A reunião será um momento para formular estratégias e propostas que contribuam para o desenvolvimento da cadeia produtiva do audiovisual no Espírito Santo.

Uma realização da ABD Capixaba com o patrocínio do Baneste, a 12ª Mostra Produção Independente – Aldeias acontecerá do dia 28 até 31 de agosto, no Cine Jardins, em Jardim da Penha, e contará com uma extensa programação aberta ao público: a tradicional Mostra Competitiva de filmes locais, uma Mostra Paralela de filmes nacionais, lançamentos e debates.

SERVIÇO:

3ª Reunião Fórum do Audiovisual Capixaba

Dia 31 de agosto de 2017

Horário: 13h às 18h

Local: Auditório do Centro de Ciências Exatas  da Ufes/Campus Goiabeiras – Vitória-ES